Vítima de grupo preso por agiotagem no AM revela intimidações e ameaças frequentes; 'vou sequestrar teu filho'

  • 12/02/2026
(Foto: Reprodução)
Operação prende suspeitos de agiotagem e extorsão em Manaus; veja apreensões Uma servidora do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), que preferiu não se identificar, revelou detalhes sobre as intimidações e ameaças de morte frequentes feitas por integrantes do grupo suspeito de agiotagem e extorsão preso em Manaus nesta quinta-feira (12). Em mais de uma ocasião, os suspeitos prometeram sequestrar o filho da vítima e metralhar um carro corporativo do tribunal. A operação deflagrada pela Polícia Civil contra o grupo criminoso resultou na prisão de seis homens, entre eles o dono de um banco que, segundo a polícia, funcionava como fachada para lavagem de dinheiro. A investigação já identificou pelo menos cinco vítimas, incluindo a servidora do TJAM. À Rede Amazônica, a mulher explicou que as ameaças começaram após contrair um empréstimo de cerca de R$ 5 mil em 2019. Mais de cinco anos depois, a dívida ultrapassa R$ 500 mil. Ao longo do período, ela afirma ter perdido mais de R$ 1,5 milhão entre transferências bancárias e as entregas de dois imóveis e um veículo ao grupo. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp “Golpista, estelionatária, vagabunda, pilantra (...) Eu nunca ouvi tanto palavrão na minha vida”, relatou a vítima. A servidora afirma que a pressão psicológica e as ameaças afetaram diretamente sua vida familiar. Acostumada a viver rodeada de amigos, passou a se ver sozinha e abalada emocionalmente. “Todo mundo com medo, amedrontado. Você fica assim, sem nada, sem nada, absolutamente nada, nada. Meu lar está destruído. Eu destruí minha relação com os meus filhos, minha relação familiar, meu casamento, tudo por conta de dívida com agiotas", lamentou. Em áudios obtidos com exclusividade pela Rede Amazônica, um dos suspeitos ameaçou sequestrar o filho da vítima. “Pô, cara, tu não tem palavra mesmo não, né? Se tu não tem palavra, eu tenho. Entendeu? Vou mandar sequestrar teu filho hoje. Eu vou querer meu valor, tudinho que eu te emprestei, entendeu? Valor integral. Já esperei muito. Quando eu falo, eu cumpro as coisas que eu falo, entendeu? Diferente de você, porque você não tem palavra”, afirmou. A investigação aponta que, em uma das ameaças, a servidora foi abordada no estacionamento do TJAM e forçada a entrar em um veículo com um dos agiotas. Em um vídeo apreendido pela polícia, um dos suspeitos afirma que fez um acordo com a vítima para o pagamento de novas parcelas e encaminha a informação ao chefe do grupo. “Ela falou que não vai poder pagar agora porque tá compromissada… que começa a pagar em fevereiro. Vamos lá!” Em outro áudio, os suspeitos ameaçam matar a servidora e atacar veículos oficiais do tribunal. “Vou fazer escolta lá na frente do tribunal. Vou te pegar, vou metralhar o carro corporativo do Tribunal de Justiça, entendeu? Vou te matar ainda hoje”, afirma. Ao explicar a decisão de denunciar o esquema, a vítima afirmou que chegou ao limite e que não teve outra alternativa. Também afirmou que se arrependia de não ter resolvido a situação anteriormente. “Eu devia para mim e para a minha família uma posição e uma atitude. Eu não tive outra alternativa. Porque se lá atrás eu tivesse resolvido da forma certa, eu não estaria nessa situação”. "Eu não posso viver desse jeito. Amedrontada, com medo, acuada de que eu vou ser sequestrada quando eu sair do meu trabalho, ou que eu vou ter um filho meu sequestrado quando sair da faculdade”, afirmou. Preso na operação da Polícia Civil que investiga grupo suspeito de praticar agiotagem e extorsão Reprodução/Rede Amazônica A operação Durante a ação nesta quinta-feira, a Justiça autorizou prisão preventiva, quebra de sigilo telefônico e mandados de busca e apreensão dos suspeitos. Foram recolhidos celulares, dinheiro, computadores e armas. O delegado Cícero Túlio, titular do 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), disse que o grupo era formado por diferentes núcleos de agiotas que miravam servidores públicos, principalmente de tribunais e outros órgãos oficiais do Amazonas. Segundo as investigações, Ikaro Michel, apontado como chefe do esquema, é dono do Banco Life, utilizado para lavar o dinheiro obtido com as práticas criminosas. Com ele, a polícia apreendeu cerca de nove veículos, dinheiro, celulares, computadores e uma arma escondida em cima de uma geladeira. “O Ikaro tinha uma função de destaque em relação a um dos núcleos investigados pela Polícia Civil, acabou criando um banco de fachada pra fingir escoar os valores que eram oriundos das práticas criminosas. Durante as investigações a gente conseguiu identificar que o banco servia como fachada para fins de realizar o escoamento e a dissimulação dos capitais oriundos dessa prática", disse o delegado. O TJAM informou, em nota, que não vai se manifestar sobre o caso. A defesa de Ikaro Michel disse que só falará após ter acesso ao inquérito. Operação prende grupo suspeito de agiotagem e extorsão contra assessora do Tribunal de Justiça do AM Reprodução/Rede Amazônica Na operação, agentes apreenderam dinheiro, armas, carros e documentos de identidade Reprodução/Rede Amazônica

FONTE: https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/02/12/vitima-de-grupo-preso-por-agiotagem-no-am-revela-intimidacoes-e-ameacas-frequentes.ghtml


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