Estratégia simples evitou as dívidas de início de ano para família com três filhos no RS; saiba o que eles fizeram e como aplicar
19/02/2026
(Foto: Reprodução) Endividamento
Reprodução/TV Globo
Se você sentiu o orçamento apertar depois do Carnaval, não está sozinho. Quase oito em cada dez famílias brasileiras começaram 2026 endividadas, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.
O número assusta, mas o que mais chama atenção é que esse aperto segue um padrão que se repete todos os anos. A chamada "inadimplência sazonal" nasce no verão e estoura no outono. Entender esse ciclo pode ser o primeiro passo para não entrar nele de novo.
📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Como o endividamento começa
O problema não aparece de repente. Ele surge de um acúmulo de despesas no mesmo período: começa no fim do ano e se agrava nas semanas seguintes. Você deve conhecer o seguinte padrão:
Dezembro: presentes de Natal, ceia especial, roupas novas, viagens e compras parceladas no cartão;
Janeiro: férias escolares, menos dias trabalhados para quem é CLT e redução de renda para autônomos e empreendedores;
Fevereiro: material escolar, uniformes, matrícula, IPVA e outros impostos.
As contas variam em cada família, mas a soma de despesas comuns neste período concentra gastos altos em poucos meses.
Quando o problema aparece nos dados
Segundo análise da Fecomércio-RS com base em números do Banco Central, a inadimplência com mais de 90 dias de atraso costuma crescer entre abril e maio. Ou seja: a dificuldade nasce no primeiro trimestre e só aparece oficialmente meses depois.
Mas há quem consiga escapar desse ciclo. Uma família de Porto Alegre pagou todas as despesas à vista neste começo de ano. O motivo: organização prévia.
A família Carvalho, com três filhos, já sabe que novembro e dezembro são os meses mais caros do ano. Em vez de esperar o susto, eles se anteciparam. Juntaram dinheiro ao longo de vários meses pensando nas despesas inevitáveis deste período.
A empresária Denise Mangini de Carvalho explica que, ao terminar o ano letivo, já pergunta às crianças o que pode ser reutilizado: mochila, garrafinha, apontador, canetas. A lógica é simples: reduzir o impacto do próximo ciclo.
Família Carvalho
Reprodução/ RBS TV
Como aplicar essa estratégia na prática
A educadora financeira Dirlene Silva diz que muitos desses gastos são inevitáveis, mas não são imprevisíveis: "Essas despesas não deveriam ser surpresa, porque todos os anos a gente tem, todo ano tem Natal, Ano Novo, férias, viagens, todo ano tem a mesma coisa. Então, o ideal é a gente aprender com isso. E se não deu esse ano para a gente se programar, se planejar, a gente pode fazer isso para o próximo ano".
Ela recomenda três passos objetivos:
Calcule quanto você gastou: some quanto custaram material escolar, impostos e despesas de fim de ano;
Divida por 12: se o gasto anual com escola foi de R$ 2.400, por exemplo, guardar R$ 200 por mês cria um fundo específico para essa despesa.
Priorize o essencial: se já houver dívidas, foque nas que têm juros mais altos, evite novas parcelas, concentre os gastos em moradia, alimentação e educação
Quando o orçamento não comporta tudo, o crédito vira saída.
Por que o crédito piora a situação
Hoje, a taxa básica de juros (Selic) está em 15% ao ano. Nas modalidades mais usadas pelas famílias, como crédito pessoal e cartão, a taxa média gira em torno de 60% ao ano. E pode chegar a 300% ao ano em alguns empréstimos.
Isso significa que:
o valor emprestado cresce rápido;
o orçamento fica ainda mais pressionado;
a dívida pode se prolongar por vários meses.
O que fazer se já estiver endividado
Para quem já está inadimplente, a prioridade é tentar quitar o que deve para escapar dos juros altos. E, por enquanto, focar em gastar no que é essencial.
O planejamento não evita despesas, mas pode evitar sustos.
VÍDEOS: Tudo sobre o RS